sábado, 12 de novembro de 2016

Verificando o erro diário e a reserva de marcha do seu relógio mecânico



1. Acerte o relógio e use-o por 8 horas;

2. Acerte o relógio novamente e anote o dia e a hora. Por exemplo: Sab 12 Nov 12:00 hs;

3. Durante 7 dias use o relógio pelo menos por 8 horas;

4. Após os 7 dias anote novamente o dia e a hora. Compare a hora do seu relógio com a hora certa e calcule quantos segundos seu relógio perdeu ou ganhou nos 7 dias;

5. Divida esta quantidade de segundos que seu relógio perdeu ou ganhou por 7 e você terá quantos segundos seu relógio atrasa ou adianta por dia, ou seja o erro diário.

6. Retire o relógio, marque a hora e não o use até acabar a corda;

7. Quando a corda acabar verifique a hora e diminua da hora que você tirou o relógio do pulso. Esta diferença é a reserva de marcha do seu relógio. A reserva de marcha é especificada em horas.


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Funcionamento básico de um relógio

Desmontar e montar um relógio é legal e interessante, mas o verdadeiro horologista deve compreender como esta máquina maravilhosa funciona. Sem conhecer o funcionamento, desmontar e montar um movimento será apenas um mero quebra-cabeças e horologia é muito mais que isso.

Iniciemos nosso pequeno estudo com uma pergunta: como se mede o tempo?

O tempo é  algo intangível e como podemos medir algo assim?

Para chegarmos a resposta vamos analisar um antigo objeto usado para medir o tempo: a ampulheta.



Como medimos o tempo com a ampulheta? Estando toda a areia embaixo simplesmente viramos a ampulheta. Quando o primeiro grão de areia cai inicia a contagem do tempo e quando o último grão de areia cai temos um intervalo de tempo. Observe que o tempo foi medido através de dois eventos: a caída do primeiro grão de areia e a caída do último grão de areia. Assim, vemos que uma maneira de medir o tempo praticamente significa observar o intervalo entre dois eventos.

O dia por exemplo pode ser medido por dois eventos: nascer do sol e por do sol. Era assim que os antigos faziam.

No século XVI Galileu Galilei descobriu a física do movimento do pêndulo. Este conhecimento permitiu ao homem medir o tempo através da oscilação do pêndulo.

Cada oscilação do pêndulo nos fornece um evento que pode ser usado para medir o tempo.

Com este conhecimento em 1656 Christian Huygens (físico, matemático, astrônomo e horologista holandês) criou o relógio de pêndulo.

Abaixo temos o diagrama básico de um relógio de pêndulo.

 
 
A fonte de energia fornece a energia necessária ao funcionamento. Sem ela o pêndulo iria parar. Ela faz com que as oscilações do pêndulo continuem.

Esta energia é transmitida através de um conjunto de engrenagens e chega até o oscilador, o nosso pêndulo.

O pêndulo oscila e gera os eventos, no caso os famosos tic-tac que marcam o tempo.

Estes são contados e exibidos no mostrador do relógio. Esta contagem e exibição também é proporcionada pela engenharia das engrenagens.

Observe que as setas azuis indicam o fluxo da energia e as setas vermelhas indicam a contagem e exibição do tempo.


O relógio de bolso e o relógio de pulso são variações do relógio de pêndulo. A principal diferença é o tipo do oscilador. Além disso, quando o relógio possui um sistema de “auto-carregamento” da energia é chamado de relógio automático. 

 
OBS: figura apenas ilustrativa dos blocos de um relógio. Este sistema de carregamento é de um automático enquanto o resto das figuras referem-se a um relógio à corda manual.


Assim, o verdadeiro horologista não só deve saber onde cada peça vai instalada da maneira correta como também entender a função de cada peça e sua conexão, ou seja, como elas trabalham em conjunto.

É importante ressaltar que existem muitos desenhos de movimento, então esta conexão entre as peças nem sempre é fácil de entender. Convém estudar cada tipo de movimento.

Uma vez que você domine estes conceitos será capaz não só de desmontar e montar um relógio, mas também de sanar defeitos.



Referências:






quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Identificando seu Seiko - Calibre, referências e número de série.



Existem quatro números importantes a serem identificados num relógio Seiko (o que pode ser usado também por outras empresas, preste atenção no relógio).







1. Número do calibre do movimento.

Este número é encontrado no próprio movimento. Aqui vemos ele gravado na ponte do rotor: 6119 C. A letra após o número indica a versão (A, B, C, etc). O número do calibre é informação essencial quando você for pedir peças de reposição para o movimento.










2. Número de referência do dial (mostrador).

Está localizado no próprio dial (mostrador) na posição das 6 horas. As letrinhas são muito pequenas e você precisará de uma lupa para ler.



Neste caso é 6119-6020S.

O que isto significa?

Durante a produção dos relógios cada movimento pode combinar com uma grande quantidade de mostradores diferentes. Mostradores com cores diferentes, tamanhos diferentes, uns com dia da semana e data, outros só com a data, etc. E cada mostrador corresponde a um determinado conjunto de rodas de calendário e um determinado jogo de ponteiros.

Assim, 6119-6020S significa que o dial de número 6020S combina corretamente com o movimento de calibre 6119.

Este número é essencial quando você for pedir peças de reposição para o dial.







3. Número de referência do modelo do relógio

Destacado em vermelho na figura acima, este número está gravado na parte de trás do case (do relógio propriamente dito).

Observe que ele também inicia com o número do calibre seguido do número do case: 6119-6023.

O número do case descreve as propriedades físicas do case: material que é feito (aço, ouro, etc.), dimensões, resistência à água, tipo de coroa, tipo de pulseira, tipo do cristal, etc.

Alguns componentes são relacionados tanto ao movimento quanto ao case, como é o caso da tige.







4. Número de série do relógio.

Destacado em verde na figura acima. Está localizado na parte de trás do case, gravado no metal ou no vidro (no caso de relógios skeleton). Normalmente é um número de 6 dígitos como mostrado acima.

O primeiro dígito indica o ano da década em que o relógio foi produzido. Assim, se você sabe a década de produção do relógio (anos 70, 80, 90, etc.) você pode saber em que ano seu relógio foi produzido.

O segundo dígito/letra indica o mês: 1=Jan; 2=Fev; 3=Mar; 4=Abr; 5=Mai; 6=Jun; 7=Jul; 8=Ago; 9=Set; 0=Out; N=Nov; D=Dez.

Assim podemos supor que o relógio deste número de série foi produzido em dezembro de ???4. Mas qual o ano? Ou você já sabe ou então deve supor baseando-se no calibre e estilo do movimento. Neste caso temos um relógio feito em 1974.

O resto dos dígitos representam o número de série de produção. Este foi o 3410o relógio produzido em dezembro de 74.





Finalmente, a letra F destacada em amarelo é o código do país. Apesar de ter estampado “Japan” o relógio pode ter sido produzido em alguma fábrica da Seiko ao redor do mundo.



Ao solicitar peças de reposição para seu relógio Seiko provavelmente serão informações necessárias: número do calibre, número do dial, número de referência do modelo (case).

Por exemplo: "Olá, preciso de [  peça   ] para um Seiko calibre 6119 C, número de dial 6119-6020S e número do case 6119-6023.”





sábado, 5 de novembro de 2016

Incabloc


Sistema antichoque Incabloc é o nome comercial de um sistema de proteção para o eixo do balanço. Ele é baseado em molas que tem forma de lira. Este sistema protege os eixos no caso de choque físico como queda do relógio.

Foi inventado em 1934 pelos engenheiros suíços Georges Braunschweig and Fritz Mart na Universal Escapements, Ltd, Chaux-de-Fonds, Suiça. É atualmente fabricado pela Incabloc S.A. (http://www.incabloc.ch/en/). Sistemas parecidos são o Etachoc, Kif, Diashock e Parashock.







Montando um relógio mecânico simples


Movimento utilizado: Unitas 6497



Primeiro lubrifique a tige.
 

 
Insira o pinhão de transmissão macho (coulant) e o pinhão de transmissão fêmea na tige e leve o conjunto ao seu local ...



… então, retire a tige devagar para que as duas peças caiam em sua posição corretamente.



Lubrifique o alojamento do parafuso que segura o tirete.



Parafuse o tirete. Você terá que segurá-lo para apertar o parafuso. Se o fizer com o dedo, como mostra a foto, não esqueça de limpá-lo depois.




Monte a báscula.



Instale a mola da báscula. Não esqueça de protegê-la pois esta mola pode voar longe.



Aqui temos a mola montada.




Monte as duas rodas intermediárias e a roda dos minutos.




Parafuse a mola do tirete.




Instale o tambor de corda, a roda de centro e a ponte do tambor de corda. Parafuse a ponte do tambor de corda.




Instale a roda de carga da coroa com sua pequena arruela embaixo. Não esqueça que o parafuso dela é de rosca inversa. APERTA PARA A ESQUERDA.

Instale a mola da catraca e a catraca.




Instale e parafuse a roda de carga do tambor.




Instale a terceira roda, a quarta roda e a roda de escape.




Instale e parafuse a ponte da rodagem tendo cuidado com os pivôs das rodas.



Instale a âncora e sua ponte. Parafuse a ponte.




Após lubrificar o incabloc, instale-o do lado do mostrador.



Instale o balanço com sua ponte. Parafuse.




Lubrifique e instale o incabloc da ponte do balanço.





quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Desmontando um relógio mecânico simples


Movimento utilizado: Unitas 6497


Durante a desmontagem preste atenção na posição das peças. Se for o caso faça anotações ou desenhos.



A primeira coisa a fazer é liberar a força da mola de corda. Para isso gire um pouco a coroa como se fosse dar corda, prenda a mesma entre os dedos e com um a pinça segure a catraca (click) que trava a roda de carga do tambor.

Vá liberando a coroa suavemente até que a mola de corda perca toda sua força.







Desparafuse a ponte do balanço e retire o balanço. Cuidado para ele não enganchar em nada e danificar sua mola.








Desparafuse e retire a ponte da âncora.







Retire a âncora. Se você liberou a força da mola de corda não haverá problema nenhum.







Desparafuse e retire a ponte de rodagem.





 
Retire nesta ordem: a roda de escape, a quarta roda (dos segundos) e a terceira roda (intermediária).







Desparafuse e retire a roda de carga do tambor.





 

Desparafuse e retire a catraca e sua mola que está embaixo (cuidado peça pequena).







Desparafuse e retire a roda de carga da coroa e uma pequena arruela que há em seu centro.

ATENÇÃO: esta roda tem ROSCA INVERSA.

APERTA PARA A ESQUERDA

AFROUXA PARA A DIREITA.





 
Vire o movimento e retire a roda das horas e o canhão dos minutos (chaussée).





Vire o movimento, desparafuse e retire a ponte da corda (ponte do tambor).








 Retire a roda de centro.






Retire o tambor de corda.


 


Vire o movimento, desparafuse e retire a mola do tirete.





Retire as rodas intermediárias (rodas menores ao lado da roda dos minutos) e a 
roda dos minutos.





Para remover a mola da báscula cubra-a com algo pois a mesma está sob 
tensão e pode voar longe.






Retire a báscula.






Vire o movimento e desparafuse o tirete. Este cairá pelo outro lado.






Retire a tige. O pinhão de transmissão macho (coulant) e o pinhão de transmissão fêmea vão cair.


 


Recolocar a ponte do balanço e retirar o incabloc.





Pelo outro lado do movimento retire o outro incabloc.





Se o relógio não for antigo abra a tampa do tambor de corda com uma pequena pressão no seu eixo, retire a árvore e deixe a mola no tambor.

Para relógios antigos ou automáticos é necessário retirar a mola do tambor de corda para substituição ou, no caso de automáticos, para lubrificação da parede do tambor.







O movimento está pronto para a limpeza.